TG35SS - Volume 2: A Luta da Bruxa - Uma Batalha Pela Esperança: Capítulo 5 - O Riso do Necromante [Parte 5]
Parte 5
Assim que a torre de
controle desabou, Takeru levantou seu corpo numa nuvem de poeira e confirmou a
segurança de Mari.
- *Cof Cof* Você está bem, Mari?
- *Cof* Eu estou.
Takeru ajudou Mari a se levantar e verificou
se ela estava machucada.
Para seu alívio, ela parecia estar inteira e
lúcida. O capitão olhou a sua volta e reconfirmou a situação.
O ataque surpresa do feiticieiro, a suspensão
do torneio, colapso da torre, separação de Ouka.
A preocupação com seus companheiros, a
situação de Yoshimizu e Kyouya.
Ele pressionou o botão no
comunicador em seu ouvido e tentou entrar em contato com alguém.
- Não vai dar. Deve ter quebrado.
Mari checou o seu próprio
comunicador e concordou com Takeru.
O garoto apertou os punhos em um
momento de frustração.
“...Droga. Estou preocupado com
os outros, mas eu preciso me concentrar em proteger Mari por enquanto.”
Visando evacuar a bruxa para um
lugar seguro, Takeru segurou sua mão e afirmou:
- Parece que não tem como fugir.
Levantaram uma barreira.
Olhando para cima, ambos viram o domo negro que se erguia e bloqueava a
maior parte da luz de chegar.
“Não é pra menos que está esse
breu aqui”
Sem haver nem tempo para concluir
o pensamento, uma voz falou:
- Não há nenhum lugar onde você
possa se esconder...Mari-san.
A voz soava de dentro da nuvem
de poeira. Takeru cerrou os dentes e olhou para a fonte da voz. Ali estava o
inimigo de Takeru.
- Puxa, olhe isso. Estou cheio de
buracos. Não acha que eles foram muito malvados comigo? Eu me esforcei tanto
para me arrumar e usar minha melhor roupa.
- ...Seu desgraçado...!
- Encontrar roupas de clérigo não
é nada fácil, sabe? Vou passar meu final de semana inteiro costurando esses
rasgos... Espera. Quem sabe Mari-san poderia costura-los para mim? Mari-san é
gentil como uma mãe, tenho certeza que ela deve ser boa nisso. Ah, enquanto
estiver fazendo isso, tem como costurar os buracos no meu coração? Pode fazê-lo
bater mais rápido?
Ignorando Takeru, Haunted olhava
para Mari. Estendendo seus braços, ele caminhava em direção à ela.
Takeru sinalizou para que Mari
continuasse abaixada e encarou Haunted.
- Pode continuar abaixada. Eu
cuido dele.
Sem saber ao certo o que fazer,
Mari sentou no chão a alguns passos de distância.
Vendo isso, Haunted parou de
andar.
- ...Estive pensando já faz um
tempinho... Mari-san, quem é esse jovem?
Com um sorriso no rosto e cabeça
inclinada, Haunted perguntou inocentemente.
- Será possível que ele... É seu
namorado? Pfff, não. Não tem como ser. Porque, afinal, Mari-san sempre pensa
apenas sobre mim. É isso mesmo, é impossível, não é? Diga que não é verdade,
porque eu adoro você, se eu não te adorar mais, eu vou chorar e vou ter que te
matar mesmo que eu não quisesse te mata-
- Cale a boca, seu perseguidor
nojento.
Takeru interrompeu a avalanche de
desilusões e metralhou Haunted com o olhar.
O sorriso do feiticeiro
permanecia inalterado, mas pela primeira vez, ele se voltou para Takeru.
- Puxa vida, olhem só.
Ele mudou a direção de sua
caminhada e andou lentamente até Takeru.
- Ficando no meio da minha
reunião com Mari-san... Quem você pensa
que é?
Com um sorriso perturbado, ele
inclinou a cabeça para o lado.
- Não fique tão convencido assim.
Vou acabar matando você... pirralho de merda.
Ele esboçou um sorriso com olhos
semiabertos e falou com Takeru como se estivesse lidando com um animal.
Mas o rapaz permanecia inabalado
e inclusive devolveu uma resposta.
- Tirou as palavras da minha
boca... Feiticeiro podre.
Depois de cuspir tais palavras
embebidas em ódio, Takeru assumiu uma postura com as mãos segurando uma espada
imaginária em sua frente.
Lembrando, ou melhor dizendo,
revivendo o que havia sido talhado dentro ele.
Assim como no evento do Ataque do
Herói, a linguagem da alma fluía em sua cabeça.
Incorporando as palavras
contra a magia e emitindo o verbo.
Um sinal de invocação para sua
outra metade.
- [Sumis Desiderantes Affectibus (Trazendo um desejar interminável)...
Sua mão direita fez um movimento
de corte diagonal.
- ...Malleus Maleficarum !(Que caia o martelo para castigar bruxas!)]
Nesse momento, um círculo azul apareceu sob os
pés de Takeru.
O emblema resplandeceu e espalhou partículas
azuladas como faíscas de magia. Elas envolveram o corpo de Takeru e endureceram
a transformar-se em uma armadura.
E finalmente, depois uma luz ofuscante
brilhar, Takeru segurava uma espada em sua mão: A Devoradores de Relíquias,
Mistilteinn.
Aquela que formou um contrato com Takeru, a
espada que cortaria toda a magia que encontrasse.
- [ Sistemas todos em ordem. Taxa de sincronia
de 100%. <Caçador de Bruxas> iniciado e completo. Bom dia, hospedeiro.]
Em sua cabeça, a voz de Lapis ecoava.
Takeru havia se tornado uma cavaleiro azul e
se posicionava para ficar em postura de combate.
- ...Lapis, alguma informação a respeito do
inimigo?
- [ Membro das forças da <Valhalla(Culto
ilusório)>. Haunted, o necromante e <Portador de Elemento Antigo
(Feiticeiro do passado)>. Perigo de classe S. Por favor tome cuidado.]
“ Classe S... Em outras palavras, esse clérigo
é tão poderoso quanto bruxas e feiticeiros do pré-guerra.”
- Nós dois... Vamos conseguir?
Claro que Takeru pretendia lutar mesmo sendo
impossível.
- [ As chances de vitória normalmente seriam
50%, mas no momento, o alvo está mantendo uma barreira de alta densidade. Lutar
dessa forma significa que ele não teria magia suficientemente disponível.
Nossas chances de vencer se aproximam de 100% ]
Ouvindo isso, Takeru encarou Haunted.
Haunted piscou várias vezes, testando sua
visão e podia se ver suor escorrendo no canto de seu rosto.
- Você.. Por um acaso não seria a pessoa que
derrubou o Herói?
- ...E se eu for?
- Não, erm. Eu não imaginei que você seria um
portador de Devorador de Relíquia... Hmm, sabe, não é que eu quisesse aprontar
nada e estraçalhar você, entende? Bem, na verdade sim, mas porque eu não sabia
quem você era.
- ......
- V-veja bem, Mari-san era minha parceira
antes e eu vim aqui para ajudar ela ou silenciar porque, sabe, ordens de cima,
não estava bem sob o meu controle e... erm, humm...
- Desembucha.
- ...Bem... P-poderia... Deixar essa passar?
Haunted pediu com um sorriso estranhamente apelativo.
Takeru se contorceu em fúria.
“ Deixar passar? Ele disse ‘deixar passar’?
Tudo aquilo?”
Tudo que passava em seus olhos se tornou
vermelho, sua aura assassina transbordava.
- ...Desculpe... Mas não sou um cara tão legal
assim. – Disse Takeru com uma voz rouca como um animal.
No instante seguinte, Takeru disparou.
Sem um pingo de misericórdia, sem um pingo de
perdão, sem um pingo de razão.
Ele deu tudo o que tinha para fatiar Haunted.
Ativou <Soumatou> e o mundo todo
praticamente congelou no tempo.
Com o único objetivo de fazer com que aquele
mago repulsivo se arrependesse até o último fio de cabelo.
Enxergou a face do alvo. Parecia ser a fáscia
de uma pessoa aterrorizada, gritando.
Colocando corpo e alma no golpe, Takeru desceu
a espada almejando a cabeça de Haunted.
- ...?!
De repente, o cavaleiro sentiu
calafrios pela espinha.
O mesmo rosto amedrontado que Haunted mostrava
a alguns segundos atrás,
Naquele momento exibia um anorme sorriso.
- Perfure-o, [Dáinsleif]!
Dentro de uma fração de segundo um grito
ressoou.
Em uma velocidade que Takeru não conseguia
acompanhar, algo atravessou seu peito.
- ...Keru! Takeru! Acorde! Takeru!
- [ Hos...Deiro, Hospedeiro. Por favor,
Acorde.]
Ele abriu os olhos e percebeu que apesar de
não entender o que havia acontecido, ele estava lúcido.
Ao tentar entender o que havia se passado, ele
involuntariamente cuspiu uma enorme quantidade de sangue.
- ...Eu... O que... Houve...?
- [ Recebemos um golpe do inimigo. Peço
perdão, Hospedeiro. Minha análise estava errada. Deveria ter computado essa
possibilidade. ]
- Como que... eu...
- [ Explicando brevemente, foi uma simples
estocada, porém... ]
Takeru ouviu o tom de Lapis e olhou para o que
estava a sua frente, em seu campo de visão.
E ali se encontrava... Um homem usando uma
armadura negra como a própria noite.
Aquele formato o lembrava de...
- É a primeira vez que encontro uma Devoradora
de Ralíquias do tipo espada. Imaginei que houvesse, ainda bem que não me decepcionei.
Lembrava Takeru em sua forma de Caçador de
Bruxas, mas o rosto e a voz eram definitivamente de Haunted.
- Feiticeiros que tem o combate corpo a corpo
como ponto fraco, isso acontece em joguinhos... Nacht, já faz um tempinho desde
que estivemos na forma de [Herói], não? Como se sente?
- [ Sem problemas com as partículas de
armadura, sem desequilíbrios no fluxo de magia. É um saco fazer a checagem,
vamos dizer que está tudo certo, pronto pra rodar.]
A voz na mente de Haunted soava inocente, lacônica
e alienígena.
De certa forma era semelhante a de Lapis.
Takeru assim pensava, ainda em choque.
- ...Não creio, esse cara também com uma
Devoradora de relíquias?
- [ Incorreto, hospedeiro. Essa é uma Herança
mágica perdida. O nome é o mesmo da [Dáinsleif] original, mas é a posse do
herói do norte europeu. Era chamada de “Espada da Ruína”.]
Ouvindo a explicação de Lapis, Takeru estava
abalado.
“Uma espada? Não creio. Eu perdi para outra
espada?!”
- ...
Sentindo a derrota, Takeru tentou se levantar.
- [Você não deveria se levantar ainda. Seu
pulmão direito está danificado].
- Você consegue... Consertar...?
- [Uma das características intrínsecas de
Dáinsleif é o poder de infligir
ferimentos incuráveis. Ainda que eu não possa curar, regeneração é possível. Se
precisasse nomear um defeito nesse processo, seria...]
- ...Levaria tempo, não?
- [Sim. Novamente, peço mil perdões pela minha
performance a desejar]
- Como? Do que você está falando? Fui eu quem,
ugh... não desviou do ataque.
Recuperando suas forças, Takeru tentou se
levantar.
- Não! Takeru, você pode acabar morrendo!
Mari veio e se agarrou a ele com um choro
amargo. Ela tentou impedi-lo de se levantar.
- Não faça... Essa cara...
- M-mas olha o seu estado!
- Eu disse que... Ia te proteger.
Mari para olhou Takeru e todas as feridas que
ele agora carregava. Seu rosto se contorceu em uma expressão de culpa enquanto
chorava e tremia.
Ao ver a si mesmo naquele estado miserável,
Takeru mordeu o lábio.
No mesmo instante que ele cerrou o punho, ele
vomitou sangue.
Sua consciência passou a se dissolver e
durante o processo, ele pensou como tudo havia acabado com um único golpe, sem
que ele pudesse fazer qualquer coisa a respeito.
Ainda que seu coração e mente estivessem
determinados, seu corpo era mais honesto que ambos.
Enquanto Takeru se repreendia, Haunted,
carregando a herança mágica, sorriu para Mari novamente.
- Mari-san, vamos voltar. Você é uma bruxa,
não pode ficar em um lugar como esse.
- .......
- Veja, esse é o lado humano, certo? Você
deveria estar conosco, bruxos e bruxas como você.
Haunted estendeu gentilmente a mão para Mari.
A garota cobria Takeru para protege-lo, apesar
de estar tremendo desesperadamente.
- Não ouse... Não ouse me comparar assim! Eu
não sou nada como gente tipo você!
Ela estapeou a mão estendida, rejeitando
Haunted.
O feiticeiro piscou três vezes, sem nenhuma
expressão no rosto, depois de ouvir as palavras de Mari.
- Nada como eu? Como assim? Ah! É verdade, eu
me esqueci completamente! Mari-san não se lembra de mim por causa da magia de
amnésia.
- [Quanto descuido]
- Descuido, realmente. Puxa vida, me dê um
segundo. Vou te liberar do feitiço agora mesmo.
Com um sorriso seco, Haunted ergueu sua mão
direita.
Como se ele chamasse por um garçom, ele
estalou os dedos e *stap*. Na cabeça de
Mari, algo como um interruptor foi desligado.
Nesse instante, o medo que a fazia tremer, a
expressão de terror em seu rosto, tudo desapareceu de Mari.
E uma onda violenta de memórias invadiram sua cabeça, engolindo toda a consciência de Mari como um maremoto.
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